Audrey Tautou protagonisa este excelente filme francês de 2001, dirigido por Jean-Pierre Jeunet. Nele é contada a história de Amélie Poulain, uma menina que cresceu isolada das demais crianças de sua idade devido a uma inexistente doença do coração imaginada por seu pai.
Este fato, associado à morte de sua mãe quando ela ainda é criança, a leva a ter dificuldades no relacionamento e convívio com outras pessoas, mesmo após se tornar adulta, o que não a impede de pregar peças fantásticas naqueles que a provocam ou que realizam atos que a desagradam.
Quando encontra uma caixinha escondida há 50 anos na parede do banheiro do apartamento onde vive, contendo lembranças e recordações de um garoto que vivera ali, ela resolve localizá-lo e devolver-lhe o pequeno tesouro e, ao constatar a felicidade do homem com seu ato, decide dedicar sua vida a pequenos gestos de bondade como este a fim de ajudar e tornar mais felizes as pessoas ao seu redor.
Desta forma, ela altera o seu destino e, no final, acaba fazendo diversas amizades sinceras com as pessoas a quem ajuda, terminando por encontrar o amor de sua vida - não sem antes fazê-lo passar por uma maratona de pistas e mistérios para conseguir descobrir quem ela é.
Enredo à parte, o filme é uma verdadeira obra de arte, tendo sido indicado ao Oscar de Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Som, com destaque para a sobreposição das cores vermelho e verde nas cenas internas, a parte em que Amelie criança fotografa as nuvens do céu, ou ainda a cena em que os animais dos quadros do seu quarto interagem com ela. Também foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro, com cenas que merecem ser destacadas como a apresentação dos personagens descrevendo o que cada um gosta e o que não gosta, ou quando Amelie fica observando a expressão das pessoas dentro do cinema, ou ainda quando rouba um anão de jardim da casa de seu pai e o faz acreditar que este está viajando pelo mundo.
Geralmente se diz que um filme nunca consegue reproduzir os detalhes contidos em um livro, mas O Fabuloso Destino de Amélie Poulain foge a esta regra, pois além de não ser baseado em nenhum livro existente – como corriqueiramente acontece -, ele consegue mostrar uma grandeza de detalhes que muitos escritores não conseguem colocar nas linhas de suas obras.
Além de tudo, deve-se ressaltar a fantástica atuação da francesinha Audrey Tautou (O Código Da Vinci), que encarnou a personagem com rara competência e conseguiu traduzir com perfeição a essência desta personalidade tão incomum.
Àqueles que procuram por um bom filme, mesmo sem um enredo mirabolante ou efeitos de última geração, recomendo este filme simples e tranqüilo, mas de extremo carisma e bom gosto.

